compreendendo o

Mapeamento da Endometriose

O mapeamento de endometriose é uma etapa fundamental no diagnóstico por imagem dessa doença ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em todo o mundo.

Esse procedimento consiste em uma avaliação detalhada e especializada por meio de exames de imagem, com o objetivo de identificar a localização exata, a extensão, a profundidade e o número de lesões endometrióticas, especialmente na forma de endometriose profunda (deep infiltrating endometriosis ou DIE), que infiltra mais de 5 mm abaixo do peritônio e pode comprometer órgãos como intestino, bexiga, ureteres, ligamentos uterossacros, septo retovaginal e até estruturas extrapélvicas.

Diferente de um ultrassom ginecológico convencional, o mapeamento exige protocolos específicos e radiologistas/ginecologistas com treinamento dedicado, pois as lesões podem ser pequenas, infiltrativas e camufladas por aderências ou fibrose.

Principais métodos utilizados no mapeamento

O exame mais acessível, amplamente utilizado e considerado de primeira linha em muitos centros é o Ultrassom Transvaginal com Preparo Intestinal (também chamado de Ultrassom Transvaginal de Mapeamento de Endometriose). Ele permite:

  • Visualizar focos profundos no reto-sigmoide, bexiga, ovários (endometriomas), ligamentos e parede pélvica;
  • Avaliar aderências e invasão de parede intestinal ou ureteral;
  • Usar Doppler para estudar vascularização e fluxo ovariano.

Para realizá-lo, geralmente é necessário:

  • Preparo intestinal (dieta sem resíduos + laxantes na véspera);
  • Distensão vaginal com gel caso haja lesão do septo retovaginal.
  • Sonda transvaginal de alta frequência.

Quando há suspeita de doença mais extensa, multifocal ou extrapélvica (ex.: envolvimento do diafragma, ureteres proximais ou parede abdominal), a Ressonância Magnética de Pelve com protocolo dedicado para endometriose é o método de maior acurácia global. Suas vantagens incluem:

  • Maior campo de visão (abdome + pelve);
  • Melhor caracterização tecidual (sequências T2 com saturação de gordura, T1 com e sem contraste, DWI);
  • Identificação precisa de lesões profundas, fibrose e infiltração muscular/serosa;
  • Planejamento cirúrgico mais seguro, especialmente em casos que exigem abordagem multidisciplinar (ginecologia + coloproctologia + urologia).

O preparo para RM também envolve limpeza intestinal rigorosa, jejum parcial, gel vaginal e, em alguns protocolos, enema retal ou contraste retal/soro para distender o reto.

Importância clínica do mapeamento

Um bom mapeamento transforma o manejo da paciente: permite diferenciar endometriose superficial de profunda, estimar o risco de complicações (como obstrução intestinal ou hidronefrose), orientar o tratamento clínico versus cirúrgico e planejar a extensão da cirurgia, reduzindo recidivas e complicações intraoperatórias.

Apesar de exames laboratoriais (como CA-125) e sintomas clínicos serem importantes, o diagnóstico definitivo de extensão da doença ainda depende fortemente dessa avaliação por imagem especializada.

Se você está com sintomas sugestivos ou já tem diagnóstico, converse com seu ginecologista sobre a indicação desse exame, ele pode fazer muita diferença na qualidade de vida e no planejamento terapêutico.

Dra Luciana Fontenele – Radiologista
CRM 23129 • RQE 11967/11968